"Você não sabe como será seu amanhã"!



Em quase 18 anos de deficiência física, venho ouvindo muitos PCDs como eu, contarem histórias de preconceito, falta de humanidade e de respeito. 
Até este ano não tinha sido vítima de  preconceito, se sofri não percebi.
Porém, depois da pandemia comecei a passar por situações inacreditáveis, por ser PCD.  (Pessoa Com Deficiência)
Minha deficiência física (lesão medular) foi causada por erro médico.
Tenho duas cadeiras de rodas.
Uma dobrável que uso quando saio de carro e um quadricíclo pra eu andar na rua.
Quando saio de carro sozinha, preciso de  ajuda pra tirar a cadeira do porta malas do carro. 
Nunca tinha tido problema com isto mas, derrepente as pessoas começaram a negarem ajuda. 
Minha Pet estava internada, na porta do hospital há uma vaga de deficiente, que em todos os dias em que a visitei, nunca consegui estacionar nela, por estar ocupada indevidamente.  
Em uma destas visitas estava chovendo.
Coloquei o carro no estacionamento que fica quase em frente ao hospital.
Eu precisava apenas atravessar a rua, subir na calçada e entrar no hospital.
Atravessei a rua e quando fui subir na calçada, todas guias rebaixadas. estavam com carros estacionados na frente delas. 
Tive que ir pela rua, colada aos carros que estavam parados, tentando encontrar uma guia que desse pra eu subir. 
Derrepente um carro pára ao meu lado, o motorista estava com máscara, aos berros ele me  ofendeu porque eu estava andando (atrapalhando) de cadeira de rodas na rua.   
Em outro episódio, eu estava com meu quadricíclo na ciclovia, passa uma mulher de bicicleta por mim e grita:- Sai da frente sua aleijada, você está atrapalhando! 
Fala sério!!!
Cadê todo o discurso que ouvimos durante o pico da Covid?!
Cadê a igualdade prometida?! 
Cadê a solidariedade, do respeito a dor do ok outro?!
A Covid não teve nenhum tipo de preconceito, ela atingiu a "todos" igualmente.
O desamor está mais evidente e presente!
O "Ter" está mais importante do que "Ser"!
Nada nos pertence é tudo emprestado!
Há um ditado que diz:- “Caixão não tem gaveta e espírito não tem bolso”.
E mesmo sabendo que a qualquer momento podemos partir, muitos ainda passam a vida em busca de "Ter" mais, mais, e “Ser” cada vez menos. 
Pra quê?!
O sofrimento da Covid foi imenso, pra tão pouco aprendizado!
Que pena!
Ninguém gosta de falar na morte mas, ela é a única certeza que temos.
Nossa finitude começa na fecundação.
Quando sairmos deste Planeta levaremos apenas o resultado de nossas escolhas. 
Mesmo sabendo que o Amor é a solução, muitos ainda preferem viver dentro da bolha do egoísmo.
"Você não sabe como será seu amanhã"!
Foi o que eu disse a mulher da ciclovia.
A deficiência dela com certeza é muito pior que a minha.
Pense nisto!
Bora lá?!
Ainda dá tempo!

                 por    Walderez Siqueira
                                         resilenciasempre33@gmail.com


Postagens mais visitadas