Perseguição e agressão a uma cadeirante!

 


Já há algum tempo, venho falando sobre preconceito, agressões verbais, falta de solidariedade, egoísmo, desamor e falta de respeito de um modo geral.
Porém, é preciso salientar que tudo se agrava quando as vítimas são pessoas com algum tipo de deficiência. 
Já escrevi sobre isso . (Título do texto: Você não sabe o dia de amanhã) 
Sou deficiente há 18 anos e até a pandemia eu não tinha sido tão hostilizada, como venho sendo neste últimos dois anos.
Coincidência?! Não acredito!
Moro em Santos, litoral de SP. Na segunda-feira dia 17 de julho de 2023, fui à dentista com o carro. 
Tenho uma Spin e quando fui sair do estacionamento de ré, um motorista me deu passagem.
Olho na câmera de ré pra ver se vinha vindo carro do outro lado, não vi nenhum carro.
Continuei com a manobra e fui embora. Logo a frente, parei no farol vermelho.
Quando parei, um motorista parou ao meu lado e disse que uma mulher estava furiosa, porque eu tinha batido no carro dela.
De repente, a mulher chega esmurrando o vidro e chutando meu carro.
Aos berros, ela manda eu descer do carro e então, disse que não poderia, porque sou deficiente física.
Mesmo assim ela insistiu para que eu descesse.
Como não desci e as portas estavam travadas, ela repetia aos berros que eu era uma aleijada picareta, porque tinha fugido.
Pedi a ela que se acalmasse pra gente conversar, pois eu não sabia o que tinha acontecido.
O semáforo abriu e disse que ia parar pra gente conversar.
Tentei parar e percebi que se eu parasse ela iria me agredir. 
Pensei, não posso parar aqui, pra onde eu vou? Decidi ir pra casa.
Foi quando começou a perseguição.
Moro num prédio, pensei que quando chegássemos lá eu ficaria mais segura para gente conversar.
Ela entrou no carro e me perseguiu, apertando a buzina direto. 
Da dentista até o prédio são 7 semáforos.
Pra piorar ainda mais, tive que parar em todos eles.
Em todos, ela descia do carro, esmurrava o vidro, chutava meu carro e berrava que eu era uma aleijada picareta, sacana e outros palavrões que prefiro não mencionar.
Quando o farol abria, ela voltava pro carro e continuava buzinando sem parar.
Ela chegou até a se agarrar no limpador de para-brisa pra eu parar.
Quando eu cheguei ao prédio, o portão demorou pra abrir,  ela desce do carro novamente pra agredir mas, o portão abre eu entro  e ela invade o prédio, quase batendo na traseira do meu carro.
Abri a porta para descer e ela me encurrala dentro do carro e continua me ofendendo. 
Insisto em sair, ela se afasta e eu peço pra que ela se acalme, pra gente conversar.
Ela repetia incessantemente que eu era uma aleijada picareta, sem-vergonha que eu tinha fugido. 
Perguntei a ela:- Como eu fugi se eu te trouxe pra minha casa?
Saio do carro com dificuldade, ando até o porta malas pra sentar na minha cadeira de rodas.
Normalmente, quando entro no prédio, vem um funcionário me ajudar a tirar a cadeira e a leva até a porta do carro, pois tenho lesão medular e dor crônica.
Nas costas e no pescoço tenho parafusos, placas, 2 implantes: uma bomba de morfina e um neuroestimulador.
O pouquinho que consigo ficar de pé e andar é um risco grande, pois minha perna esquerda foi afetada, por causa da lesão medular. Apoiar nela é sempre um risco porque ela é fraca. 
Perdi o movimento do pé e quase não tenho sensibilidade. 
Andar é sempre um risco, porque a perna pode falhar por causa dos espasmos e eu me desequilibrar.
O funcionário do prédio nem sequer conseguiu tirar a cadeira do carro, porque ela vem em cima de mim.
O tempo todo, peço pra ela se acalmar pra gente conversar, mas foi em vão: ela estava ensandecida .
Digo a ela que se ela não se acalmasse eu iria subir pro meu apartamento.
 Na tentativa  de me impedir,  ela estupidamente tenta passar  na minha frente, e me empurrando com força, como não tenho equilíbrio de uma pessoa normal eu caí de costas com toda força no chão.
O porteiro do prédio nada fez, nem sequer saiu da portaria. De nada adiantou ir pra casa!
Ele deveria, pelo menos, ter pedido pra ela sair e caso ela não o fizesse, o porteiro deveria ter chamado a polícia.
Bati a cabeça, as costas, o joelho, o ombro e o cotovelo no chão.
Estou com arranhões, hematomas, um enorme galo na cabeça.
Fui à delegacia fazer um BO e depois fui direto ao Pronto-socorro  
Até agora não sei direito o que a deixou tão transtornada: Meu carro não está amassado, tem apenas uns riscos na traseira.
Estou profundamente magoada, amedrontada e decepcionada com o ser humano.
Será que Jesus Cristo morreu em vão?!
Por que é mais difícil demonstrar amor do que raiva?!
Muito tem se falado sobre preconceito a homossexuais, pretos, mulheres.....
E Nós?!
Nós, estamos abandonados, sendo agredidos verbal e fisicamente.
Que ABSURDO!!!!
Nossa luta contra preconceitos, discriminação e bulling é solitária e diária!
Andar nas ruas e calçadas é sempre um desafio perigoso.
A acessibilidade é um engodo! É porca!
Não há fiscalização das reformas estruturais das edificações particulares, porque a própria Prefeitura também não cumpre a lei.
Sem acessibilidade não há inclusão social.  
Isto tem que acabar!
Ninguém sabe como será o seu amanhã!
Pense muito nisto!
Bora lá, entender que todos merecem respeito e compaixão?!

Por      Walderez Siqueira 






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